Uma conversa sobre memória, cuidado e a importância de perceber quando alguma coisa começa a mudar. Dia 21 de setembro é o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, uma data de conscientização sobre uma doença que impacta tantas famílias no Brasil e no mundo. A data faz parte de uma campanha internacional que busca ampliar a informação sobre o Alzheimer e outras formas de demência, combater o preconceito e incentivar que o assunto seja cada vez mais conversado. Falar sobre Alzheimer é importante porque, muitas vezes, a doença chega de maneira silenciosa. Antes de um diagnóstico, podem aparecer pequenas mudanças que passam despercebidas ou que são simplesmente atribuídas à idade. E é justamente aí que precisamos prestar atenção.
Afinal, quando um esquecimento deixa de ser apenas um esquecimento?
Esquecer faz parte da vida. Todos nós já esquecemos de comprar alguma coisa, onde colocamos as chaves, o nome de alguém ou até o que iríamos fazer alguns minutos depois.
Com o envelhecimento, alguns esquecimentos também podem acontecer. Isso, por si só, não significa que uma pessoa tenha Alzheimer ou outra demência.
O que merece atenção é quando essas mudanças começam a acontecer com frequência e passam a atrapalhar a vida cotidiana.
Uma pessoa que sempre cuidou das próprias contas pode começar a se confundir com pagamentos. Alguém que conhece determinado caminho há muitos anos pode começar a se perder. Uma mãe pode passar a repetir as mesmas perguntas várias vezes durante uma conversa. Um avô pode ter dificuldade para realizar uma tarefa que sempre fez sozinho.
São situações que não devem ser motivo para pânico, mas também não precisam ser ignoradas.
A demência não é uma parte normal do envelhecimento. O Alzheimer é a forma mais comum de demência e pode afetar a memória, o pensamento, a comunicação e a capacidade de realizar atividades do dia a dia. Existem, porém, outras causas para alterações de memória e cognição. Por isso, quando uma mudança é persistente e começa a interferir na rotina, uma avaliação profissional é importante.
Quanto mais cedo a família entende o que está acontecendo, mais preparada pode estar para lidar com as mudanças.
Muitas vezes, a família percebe primeiro.
Nem sempre a pessoa com demência percebe que alguma coisa está diferente.
Quem convive de perto costuma notar pequenas mudanças: uma história que passa a ser contada muitas vezes, um compromisso que é esquecido, uma dificuldade nova para preparar uma refeição ou uma mudança no jeito de se relacionar com as pessoas.
Por isso, observar faz parte do cuidado.
Não significa transformar cada esquecimento em sinal de doença. Significa conhecer aquela pessoa o suficiente para perceber quando algo realmente mudou.
Em vez de pensar apenas “ela ou ele está esquecendo porque está envelhecendo”, podemos perguntar: isso é algo novo? Está acontecendo com frequência? Está atrapalhando alguma atividade que antes era fácil?
Essas perguntas podem ser um primeiro passo para procurar ajuda.
Alzheimer não é apenas sobre memória, é também um declínio cognitivo, que pode levar à perda progressiva de capacidades ao longo da evolução da doença.
Quando ouvimos falar em Alzheimer, a primeira coisa que pensamos costuma ser no esquecimento.
Mas a doença pode trazer outras mudanças. A pessoa pode ter dificuldade para encontrar palavras, se orientar em lugares.
A doença de Alzheimer altera toda a rotina do idoso (a), e os cuidados se tornam mais intensos com o avanço da doença.
“Quem cuida passa a ser a memória ativa de quem não consegue mais contar a sua história.”


